sexta-feira, 31 de outubro de 2008

VIVENDO DO LIXO


Por Alex de Oliveira Barbosa (Eletricidade de Baixa Tensão)

Reparei ultimamente que as ruas que percorro desde a escola de engenharia até o meu ponto de ônibus, andam muito mal cheirosas e repletas de todo tipo de lixo, às vezes nesse meu percurso, me deparo com os coletores de lixo realizando a árdua tarefa de recolherem as montanhas de lixo depositadas nas esquinas do centro da cidade. Logo me vem uma reflexão de como o ser humano descarta tanta coisa hoje em dia. O que terá naqueles sacos escuros depositados nas esquinas? Papéis, restos de alimentos, copos e pratos descartáveis, embalagens plásticas diversas...
Acho que naquelas montanhas de lixo estão depositados também o egoísmo humano, a falta de respeito com o nosso meio ambiente, a corrida desenfreada pelo consumo de coisas supérfluas. Tudo ditado pelo sistema capitalista, corrosivo, onde o ser humano é valorizado por aquilo que tem e não pó aquilo que é.
Os coletores de lixo parecem ser a solução rápida e barata para extirpar, exterminar dessa sociedade perversa tudo que é necessário e fétido. Ai de nós se não houvesse esses trabalhadores, se não fosse eles estaríamos mergulhados literalmente num oceano de coisas poderes e ao redor baratas, ratos e moscas.
Acho que se pode dizer que o luxo de hoje das pessoas é o lixo de amanhã. Por isso parabéns, meus eternos parabéns aos coletores de lixo, incansáveis nessa penosa tarefa de afastar de nós o que o ser humano de hoje mais produz na vida, LIXO.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Compensação

Por Helton Gomes Pacheco (Eletricidade de Baixa Tensão)

O tempo passa, as coisas acontecem tão rapidamente, a tecnologia toma conta de tudo e de todos. E em nós cria uma necessidade de busca. Busca de conhecimento para entendermos um pouco do que está acontecendo a nossa volta, em nosso dia a dia e esta busca se torna para nós um grande desafio. Palavra esta que em nossas vidas passa a ser com um resultado de uma terrível luta interior: cansaço x esforço.
É muito difícil para quem é trabalhador, depois de um dia inteiro de trabalho trocar as horas de descanso por algumas horas de estudo, mais esforço do que estudo. Pior ainda é quando o trabalhador além de tudo também é pai e que na maioria das vezes quando sai pela manhã os filhos estão dormindo. E quando chega, não é diferente , não existe tempo para brincar com eles.
Mas o que fazer? Desistir? É o que muitos fazem, mas não acho que seja uma decisão louvável, pois desistir é um verbo que se conjuga bem com fracassados. Hoje sabe-se que a terrível luta entre o esforço e o cansaço se resume em um grande desafio. E tomara que este desafio resulte em nossa vitória amanhã.

“Comentário”

por Raimundo Vieira (Preparação para Encarregado Geral de Obras)

Nós, os trabalhadores, aqueles que constroem esse país, somos quase sempre relegados ao segundo plano. Trabalhamos a vida inteira, de sol a sol, para colocar “o pão nosso de cada dia” em casa e atender às nossas necessidades básicas, e não temos nenhum reconhecimento das autoridades.

Nós, trabalhadores de verdade, que às vezes somos humilhados pelos hierarquicamente superiores ou pela elite de nossa sociedade, às vezes somos até confundidos com bandidos devido à nossa situação e classe social.

Nós que construímos as residências, as casas onde moram “esses nossos superiores”, as escolas onde estudam seus filhos, os hospitais particulares e as clínicas de beleza, onde a elite, por não ter onde mais gastar esse dinheiro nosso, vai fazer sessões de “aprimoramento de sua beleza”, em contradição com nosso desconforto.

Nós que elegemos vossas senhorias com uma “luzinha” de esperança acesa, a esperança de que vocês realmente cumpram uma décima parte do que nos prometeram.

Nós, os trabalhadores de verdade, que lutamos uma vida inteira, trabalhamos muito para conseguirmos o mínimo, e nunca temos o mínimo de reconhecimento por tudo o que fazemos. Acabamos numa calçada qualquer e enterrados como indigentes numa vala comum.

“O dia-a-dia de uma moça”

por Flávio Pereira Lourenço (Preparação para Encarregado Geral de Obras)

Logo cedo, quando acorda, se preocupa em fazer o café e dar uma olhada no pai e nos irmãos para ver se está tudo bem. Logo em seguida, toma banho e vai para o curso de Enfermagem que está fazendo. Ao chegar, às 12h, se preocupa com almoço, e, mesmo sabendo que sua irmã já o preparou, confere tudo, pois seu pai já está chegando para almoçar. Sabendo que está tudo bem, começa a se preocupar com suas clientes de cabeleireira, manicure e pedicure; nunca se esquecendo de tirar um tempinho para ir à academia queimar suas gordurinhas. Preocupa-se com todo o trabalho de casa, administrando-o e dividindo responsabilidades com os irmãos, já que sua mãe não mora no país e seu pai delegou essa função a ela. À noite está sempre preocupada ainda em ajudar o pai nas dificuldades que tem em seu curso de Preparação para Encarregado Geral de Obras, e não dorme enquanto o pai não chega para jantar.
É incrível, mas essa moça sempre foi assim e eu estou sempre observando o seu crescimento. Agradeço a Deus por ter me dado uma filha assim.

“O vendedor de pão de queijo”

por Márcio Gomes de Almeida (Capacitação para Construção Civil)

Trabalhando numa obra da construção civil no meu dia-a-dia, com horários marcados, passei a observar e principalmente a escutar o bordão de um vendedor.

“Olha o pão de queijo!”, gritava ele.

Impossibilitado de poder vê-lo e também de comprar o seu produto, fiquei curioso. Não conhecia a sua pessoa, vamos dizer assim. Mas o soar de sua voz pela manhã e à tarde anunciava que mais uma fornada já ficava pronta no cumprir de tarefas, eu com as minhas obrigações e o vendedor de pão de queijo atendendo à sua freguesia.

Da mesma maneira que ele exprimia seus gritos na ida com seu balaio cheio, na volta vinha calado e talvez cansado, e eu não saberia dizer a que hora o vendedor de pão de queijo terminaria o seu turno de trabalho, porque ele não gritaria assim:

“Não olhem o pão de queijo, porque o balaio está vazio!”

“Um profissional do futuro”

por Edson Ferreira da Silva (Capacitação para Construção Civil)

Quando amamos aquilo que fazemos, as coisas tendem a dar mais certo que o normal. Ser um pedreiro para mim é um motivo de orgulho, mesmo nos dias atuais, em que pessoas da minha idade não querem ser pedreiros, trabalho duro e pouco valorizado pelas pessoas de outras classes sociais.

Mesmo assim, com tudo isso, meu orgulho de ser pedreiro continua em alta, porque vejo um mercado cada vez maior e competitivo e uma grande carência de mão-de-obra qualificada. Com isso, aumenta o meu desejo de cada dia ser um profissional melhor e mais qualificado.

SIMPLES ASSIM...

Por Orlando Batista dos Santos ( Eletricidade de Baixa Tensão)

Caramba! A ficção invadiu nosso mundo, alguém deve estar brincando, não pode ser verdade tudo que ouço como possibilidades concretas.
Ligo a televisão e aquele moço que era tão sério, digno de confiança, começa a noticiar sobre carros que obedecem, que reconhecem, que até conversam com seus donos. Celulares que substituem cartões de crédito, filmam, que fazem um milhão de coisas como se tivessem vida própria.
Na verdade, eu acho que sou vítima de um complô. Todo mundo combinou fingir que as coisas são assim mesmo, só pra que eu fique confuso. Ora, parece que só eu é que não percebo tudo a minha volta.
Imagine acreditar que tem mecanismos gigantes lá no espaço monitorando tudo que acontece no planeta. E dizem que foi o próprio homem que colocou tudo lá, ahh, conta outra!
Quer saber? Pra mim tudo começou quando o mundo inteiro fingiu acreditar que era verdade que o homem tinha chegado até a lua. De lá pra cá, é uma descoberta atrás da outra.
E o que é pior, pasmem, as crianças já estão ficando influenciadas por toda essa coisa. Outro dia, ahh humilhação total, meu computador começou a fazer gracinha, eu só queria ver um dvd e apareceu um punhado de tranqueiras na tela que não saíam. De repente minha sobrinha, (três anos) não acredito, só pode ser complô, esticou o dedinho, tocou aqui e ali, pimba! O computador obedeceu. É ou não é um complô? Enquanto eu escrevo aqui, tem um moço lá na frente, fazendo estripulias com o celular, teclando sem parar.
Opa! Meu celular está tocando, eu vou atender, mas tenho certeza é alguém armando pra cima de mim...
Todo mundo está ligado, antenado, conectado.
Estou sozinho nessa luta...acho que vai ser o fim do mundo ou pelo menos a mudança total dele para a era tecnológica.

Ironicamente falando!

Por Carlos Eduardo, Gilberto dos Santos, Frederico Vieira, Ézio Almeida e Fábio Alvez ( Tecnologia de Soldagem)

O computador
O celular
A internet...
E outros
Vão acabar substituindo o homem em suas necessidades mais básicas
Quem sabe até substituir o amor
Pois até o sexo se torna virtual...
Podemos perceber que a grande vantagem da ironia é permitir dizer verdades que não seriam ditas de outra forma.
Portanto:
VIVA A TECNOLOGIA!

NUNCA VOU PARAR

Por Adonias de Almeida Rocha Neto ( Tecnologia de Soldagem)

Quebrar a barreira da acomodação é uma grande necessidade humana, e é exatamente o que vem acontecendo hoje.
As pessoas vêem se conscientizando que o estudo, acima de tudo o conhecimento (informação), é tão necessário quanto o alimento. No caso do conhecimento é ele que vem promovendo o indivíduo para o mercado de trabalho, nivelando por cima a condição profissional do cidadão, além de encaixa-lo melhor na sociedade, tendo em vista o retorno que ele pode dar a ela com seu trabalho.
Sobretudo existem os desmotivadores: o tempo e fatores econômicos que tendem a fazer com que os guerreiros da vida voltem atrás em seus objetivos e ideais. Mesmo assim não podemos passar por cima de sonhos de uma vida melhor e com qualidade.
Portanto, leve e gaste muito tempo e que tenha que abnegar de prazeres, custe o que custar, nunca vou parar...